vamos conversar sobre o amor.

looo

A Sincer escreveu um post no blog dela com o título “Antes de casar é bom conversar” e me mandou o link, dizendo: “Lembrei de você e do Igor quando escrevi isso. Porque tudo tem exceção e vocês fazem parte dela”.
Parei pra pensar e lembrar por alguns instantes. Forcei a memória e percebi que ela, que acompanhou nosso relacionamento desde o início, tinha toda razão: nós pulamos essa etapa. A parte chata, temida por todos, porém tão necessária: a conversa.
Tudo aconteceu muito rápido pra gente. Nós trabalhávamos juntos, eu namorava e ele já andava de olho em mim. Até que um dia eu acordei e percebi que gostava daquele cara engraçado, e achei que ele merecia uma chance. Foi simples assim, não deu tempo de racionalizar nem pesar os prós e os contras, simplesmente fui lá, terminei o namoro de 4 anos, e no dia seguinte fiquei com ele num ponto de ônibus de madrugada. Foi fácil, rápido, simples.
Não estou dizendo que não doeu, tudo isso pode parecer muito frio, mas é como vejo hoje, olhando pra trás. Não me lembro de ter medo de que não desse certo, de que poderia estar cometendo um grande erro, ou que poderia me arrepender depois. Simplesmente fluiu, aconteceu, e acho que por ter sido tão natural que acabamos nos tornando a tal “exceção“.
Vou ser sincera aqui, eu odeio discutir a relação. O Igor adora. E isso sempre foi um grande problema. Eu sou do tipo que prefere remediar. Ele, do que prefere prevenir. Tenho uma preguiça enorme de discutir as coisas, combinar, acertar. Sou prática, gosto de ir lá e fazer, viver, deixar acontecer. Depois, se tudo der errado eu dou um jeito e começo de novo. Na maioria das vezes dá certo, então, pra que perder tempo?
Sempre fui assim. Ele, não. Ele gosta de esclarecer as coisas, planejar, e odeia a minha mania incontrolável de concordar com tudo que ele diz só pra que ele pare de falar. Sei que é feio, mas não consigo evitar. Simplesmente detesto discutir a relação, combinar coisas, ditar regras e funções. Pra mim, tudo isso não passa de um protocolo chato do relacionamento. Não importa se vocês discutiram hoje e chegaram a conclusão de que não vão mais ter crises de ciúmes, não é assim que funciona. Amanhã, quando você encontrar uma conversa suspeita no celular dele, nem vai lembrar das 2 horas de conversa madura que tiveram. Vai ter ciúme, porque é assim que a vida é, ela flui, acontece, e não adianta ser maduro ou discutir a relação. Tudo isso acontece exatamente da mesma forma que duas pessoas prometem ficar juntos para sempre e um ano depois não estão mais. Acontece. A vida acontece. Conversar só faz ela passar mais rápido. Muitos relacionamentos terminam no momento da conversa, onde as pessoas acabam desistindo de tentar a prática, baseado somente na teoria. “É, parece mesmo que somos muito diferentes, eu gosto de sorvete de creme e você de chocolate, isso não vai dar certo.” Mas como saberiam, se nem tentaram? Talvez se tivessem descoberto o lance do sorvete no meio do supermercado, durante as compras do mês, descobririam que poderiam comprar um pote de napolitano, e todo mundo sairia ganhando.
Mas não. Queremos coisas diferentes, não dá, tchau.

Assim, eu e Igor fomos sendo levados pelos momentos, e ao contrário do que a maioria dos casais fazem, não paramos pra racionalizar o que estávamos fazendo, para conversar sobre se estávamos indo pelo caminho certo ou se tudo aquilo era um grande erro. Simplesmente fomos indo. Vai se mudar pra uma república? Legal, te ajudo com a mudança! Nossa, que quarto legal, vou ficar por aqui também durante a semana. Acho que tá ficando meio pequeno aqui, né? Por que você não aluga um apartamento? Olha esse, que bacana! Adorei o nosso, ops, seu apartamento novo! Olha as coisinhas novas que comprei pra ele! Vou colar nossas fotos nessa parede, tá? Ficou bem legal, né? Final de semana vamos visitar meus pais? Tô com saudades deles. Tenho sentido falta do meu computador, acho que vou trazer ele pra cá. Precisamos de uma TV nova, vamos comprar? Quer saber, tô ficando claustrofóbica nessa apartamento, sinto falta de ter um quintal. Vamos alugar uma casa? Olha essa, que legal, tem dois quartos e um quintal! Agora que temos uma casa, podemos ter um gato? Olha só, ele tem uma irmãzinha, podemos levar os dois, né? Que legal essa coisa de gato, vamos trabalhar juntos e montar a nossa empresa? Olha! Ganhamos uma casa de presente, vamos reformá-la? Relaxa, enquanto isso a gente mora na casa da minha mãe e adota um cachorro.
Foi tudo mais ou menos assim. Simples. Claro que no meio disso tudo tivemos problemas, desacordos, mal entendidos. Mas quando eles aconteciam a gente simplesmente brigava, um dos dois pedia desculpas e a vida seguia. Eu sei, não temos a relação mais madura do mundo, mas funcionou pra nós até agora. Não é esse o objetivo, funcionar?
Eu tenho mais facilidade que o Igor em lidar com os erros alheios. Sempre que o Igor erra ou faz algo que não me agrada, eu penso: “Bom, eu posso viver com isso ou prefiro viver sem ele?”. Até hoje a resposta sempre foi “Eu posso viver com isso”, e por isso dificilmente eu começo uma briga ou aponto um defeito dele. E esse é o meu segredo. Evitar conflitos e ir até onde der pra ir. Acho que se eu consigo conviver com o fato de que ele sempre esquece onde deixou a carteira e de que sempre se joga em cima de mim e quase me derruba da cama durante a noite, posso realmente chamar isso de Amor, e é exatamente o fato de conviver com os defeitos dele sem querer que ele os mude que dá significado a essa palavra tão banalizada. Amor.

Sabe? Amar alguém perfeito é muito fácil. Querer transformá-la em alguém perfeito também. Agora, Conviver com os defeitos de alguém e aceitá-los tanto a ponto de chegar a gostar, bem lá no fundo, é que é o verdadeiro desafio.

hands

manu

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8 comentários sobre “vamos conversar sobre o amor.

  1. Texto incrível. Queria ter sido assim em boa parte do meu relacionamento. Namoro a sete anos e acho que passei a ser assim de uns tês anos pra cá. Sei lá, ficou bem mais fácil. O Victor não, ele sempre foi assim, igual a você, quantas vezes eu discuti sozinha e ele só concordava, que raiva que dava. Mas com o tempo acho que amadureci. Adoro seu blog e seus textos =)

    1. Oi Juliana! 🙂
      Imagino a raiva que deve dar…Eu me sinto mal de concordar só pra terminar a discussão, mas não consigo evitar! hahaha! Não culpe o Victor, é o instinto de sobrevivência da gente falando mais alto, hehe!
      Obrigada pela visita, viu?
      Beijos!

  2. Oiii Manu, que texto perfeito!
    Acho que me identifico com o Igor..rs Adoro discutir a relação, falar e falar, mais pelo meu marido tudo ficaria bem segundo depois de uma briga.
    Lendo esse texto percebo que tenho muito que amadurecer ainda.
    Adorei!
    Beijos

    1. Oi Livia 🙂
      talvez eu que tenha que amadurecer e aprender a falar, heheheh! as pessoas são diferentes mesmo, e pelo que tenho percebido, as relações que mais dão certo são essas em que uma das pessoas gosta de falar e a outra de “ouvir”. Imagina uma relação de duas pessoas que vão fundo na DR, deve ser um pesadelo! hahaha!
      A gente sempre tem algo a aprender com as pessoas, seja ouvindo ou falando.
      Beijos e obrigada pela visita 😉

  3. Oi Manu,
    Vim retribuir a visita e fiquei encantada com o blog de vocês 🙂
    Dos outros posts, passei só as fotos, correndo, enquanto tomava café hoje cedo (estou muito apertada no trabalho esse mês).. e tive que mostrar algumas coisas pro meu namorado, que amei! Mas depois vou voltar com calma em cada post e comentar as coisas..
    Mas olha, a casa de vocês está ficando incrível!
    Sobre a sua história, achei super bacana ler esse como primeiro post. Cheguei aqui há pouco mais de 10 minutos e sinto que já conheço vocês.
    A história de vocês tem muita coisa parecida com a minha junto com meu namorado. Também começamos a morar junto assim, aos pouquinhos e sem realmente conversar sobre isso. Pra você ter uma ideia, ainda estamos programando uma conversa sobre a divisão dos gastos da casa.. rsrs!
    Beijinhos

    1. Oi Thais! 🙂
      Muito obrigada pela visita, viu? Fiquei muito feliz em saber que curtiu nossa casinha! Tá demorando e dando um trabalhão, mas vai valer a pena! Acho pelas fotos deu pra entender como eu gosto duma mistureba, né? Por isso curti tanto o post sobre miscelânea no seu blog 😉 Ainda não comecei a decorar, mas pretendo fazer uma bagunça danada de cores e estampas! hehehe! Acho lindo!
      Sobre morar junto, quando é natural assim é tão mais gostoso, né? Sem muita formalidade, só porque os dois tão afim…Acharia muito estranho se fosse de outra forma. Mas ih, agora vem a parte chata, conversar sobre a divisão de gastos…Dessa não tem mesmo como escapar! hahahah! Boa sorte, viu?
      Beijão!

  4. Oi Manu,
    A sua história tb muito parecida com minha e do meu companheiro, moramos juntos sem planejar e hoje somos pais de dois guris lindos um de 05 e outro de 09 anos. Eu igualzinha ao seu comportamento e ele igual ao seu namorado, bom o que eu posso dizer é que hoje eu me classifico como uma mulher de razão e alma masculina, mas sem ser masculinizada é claro rss e ele um homem de razões e alma feminina, mas sem ser efeminado kkkk, se é que vc me entende? Kkkk. Bjss curtindo de montão seu blog.Ps aqui em casa tb somos um casal d.y.e!

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