O segundo lar a gente também nunca esquece

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Continuação do post: O primeiro lar a gente nunca esquece

Foi naquele pequeno apartamento quarto-e-sala que começamos de fato uma vida juntos.
Foi lá que começamos a dividir as responsabilidades, as contas e as melhores coisas da vida.
Não tínhamos absolutamente nada, e conseguir comprar uma geladeira quase nova por R$200 foi a nossa primeira conquista juntos. Ganhamos o fogão usado de um amigo, a tv nova da minha mãe, compramos a maioria dos móveis em brechós e decoramos da forma que o dinheiro dava. Não dava pra muito, então a gente pintava nossos próprios quadros e reformava nossos próprios móveis, e foi em cima do nosso sofá novinho comprado diretamente do mostruário de uma loja em madureira que nós passamos quase 1 ano das nossas vidas.
No início, já tínhamos o fogão, mas o gás da rua ainda não estava funcionando, e assim ficamos morando quase um mês sem poder cozinhar.
Tudo que tínhamos era uma churraqueirinha elétrica, e nossas refeições se resumiam a qualquer coisa que pudesse ser grelhada nela. E só.
O ponto alto desse mês foi quando peguei emprestada uma sanduicheira da minha mãe, e descobri que conseguia fritar ovo nela. É aquela velha história, a felicidade está sempre nas pequenas coisas, como o bom e velho pão com ovo.
Também tínhamos outros problemas, como não poder ligar nada na tomada enquanto o chuveiro estivesse ligado. Quando esquecíamos, e acidentalmente causávamos um curto, ficávamos por dias sem água quente no chuveiro até o nosso faz tudo, Augusto, pudesse ir consertar. Ele era um homem ocupado, não me lembro porque, mas me lembro disso.
Algo importante sobre mim é que não tomo banho frio. Muito menos de manhã. Tomo banho quente até no verão, em pleno Rio quarenta graus.
Então muitas vezes esquentei água na cafeteira (porque realmente não tínhamos gás no fogão) para tomar banho. Era trabalhoso, mas não havia outra escolha nas manhãs de inverno.
Uma das coisas mais memoráveis desse apartamento foi o fato dele ser no Rio Centro, bairro onde acontece o Rock in Rio, e nós morávamos no décimo terceiro andar, exatamente de frente para o palco mundo.
Reunimos os amigos na sala e assistimos pela tv, no mute, enquanto ouvíamos o som pela janela e comíamos cachorro quente feito pela Aurora, que aliás, hoje mora nesse mesmo apartamento.
Eu gostava de muitas coisas nesse apartamento. Mas a minha favorita sem dúvida era o barulho que o vento fazia, enquanto corria pelos corredores e passava por baixo da nossa porta de madrugada. Era assustador e delicioso ao mesmo tempo. Não sei explicar. Trazia uma sensação boa, e era ainda mais agradável quando vinha acompanhado do barulho da chuva. Eu adorava assistir a chuva do décimo terceiro andar. A vista é do que eu sinto mais falta.
Da vista, da churrasqueira, e do Maverick velho que morava no estacionamento do prédio, e que pretendíamos comprar um dia.
Nunca compramos.
E aqui estamos nós.

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Comentários

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2 comentários sobre “O segundo lar a gente também nunca esquece

  1. Cada momento é único em nossas vidas. É muito bom ter coisa pra lembrar, e contar.
    O cafofo ficou uma gracinha, voces são demais. Bjs, amo voces!

  2. Oiii Manu, eu sempre admirando a história de vocês, tentando imaginar cada situação.
    Fritar ovo na sanduicheira e esquentar água na cafeteira é uma das coisas mais bizarras que já li..rs Não sabia dessa possibilidade.
    O apê de vocês era fofo, consigo ver a personalidade de vocês nele.
    Beijos

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