coleção de memórias

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Teve aquela vez, que por um motivo tão banal a ponto de eu não conseguir me lembrar qual era, você se despediu de mim na saída do trabalho com um abraço gratuito. Do nada. No meio da agência. E eu fiquei ali, parada por alguns segundos que pareciam uma eternidade, tentando racionalizar o que estava acontecendo. Porque eu não sou esse tipo de pessoa, você sabe, do tipo que abraça. Não que eu não goste de um bom abraço, eu até gosto. Mas preciso ser sincera aqui, não é todo dia que um colega de trabalho te abraça assim. Tão intensa e inesperadamente. Achei desconfortável, confesso. Mas me lembro de não ter te dado meus famosos tapinhas nas costas. Porque você sabe, sou dessas.

Teve aquele dia também, lembra? Que eu voltei da aula na faculdade que eu fazia durante meu horário de almoço, e te vi entrando no supermercado do lado do trabalho.
Me lembro de quase quebrar o retrovisor do carro enquanto tentava estacionar o mais rápido que dava, e subir as escadas de dois em dois degraus pra conseguir te encontrar na seção de frutas como quem não quer nada, e dizer ainda ofegante: “Ah, oi. Nem tinha te visto por aqui”. Naquele dia, você comprou sua maçã, eu comprei minha Coca-Cola, e nós caminhamos juntos de volta ao trabalho conversando sobre o tempo. Choveu.

Teve aquela noite, sabe? Em que eu cheguei em casa depois do trabalho, e fiquei horas na frente do chat tentando pensar em algo pra puxar algum assunto com você, que eu sabia que tava fazendo hora extra. Sem muito sucesso, lembro que decidi perguntar a coisa mais idiota que já consegui pensar: “Oi, a Aurora ainda ta aí na agência?”.
Acho que eu não poderia ter sido mais óbvia que isso. Deve ter ficado claro que eu só pretendia puxar assunto e fazer sua janelinha do Gtalk piscar. Porque todo mundo sabe: A Aurora sempre ainda estava na agência.

E daí teve aquela quinta feira, você deve lembrar.
Em que o Rio de Janeiro estava em guerra, era a polícia contra os traficantes, e por acaso eu cheguei solteira no trabalho.
Naquele dia, cerca de 5 carros, 2 ônibus e 1 caminhão foram incendiados na cidade, pessoas foram feridas e mortas em ataques violentos. A ordem da polícia era clara: ficar em casa e não vender gasolina pra qualquer um.
Mas eu estava solteira. E a gente preferiu passar a noite com os amigos em um bar, porque era noite de dose dupla. Lá pelo final, não sei se você se lembra, mas você descobriu pelo cardápio que os drinks caros também valiam como dose dupla, e resolveu pedir um cosmopolitan pra mim, obviamente pra me impressionar. Eu nunca tinha tomado um desses, e pra ser sincera nem me lembro se realmente gostei. Provavelmente não. Porque eu não sou do tipo que se impressiona com bebidas chiques, ou com ônibus incendiados, ou com se a Aurora ainda tá no trabalho às 11 da noite.

Você sabe, você me ganhou foi naquele abraço.

ab

manu

Comentários

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Um comentário sobre “coleção de memórias

  1. Um amor lindo, e bem vivido, com cumplicidade, sinceridade e muito respeito, tende a durar uma vida inteira. A história de voces é muito linda, desejo de todo o coração que ela seja eterna. Que no novo lar de voces, a felicidade impere, e que voces curtam cada momento, junto com os animaizinhos que voces tanto amam, e futuramente com meus netinhos. Amo voces, e sempre vou estar ao se lado, minha princesa Manuela querero melhor pra vida de voces. Bjs!

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